Pânico em São Luís: Secretário de segurança do estado culpa todos, menos a própria gestão, por crise que paralisa o Maranhão

Uma onda crescente de violência e ameaças, atribuídas a facções criminosas, tem paralisado vários bairros da Grande São Luís, resultando no fechamento de escolas e criando um clima de temor generalizado entre os moradores. Durante uma entrevista em um programa de televisão, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, adotou o discurso habitual em diferentes gestões de segurança no país, isentando o governo de Brandão de qualquer responsabilidade e transferindo a culpa pela crise ao Sistema de Justiça.

Ao ser questionado sobre a sensação de abandono nos bairros e a lentidão na resposta ao poder paralelo, Martins ressaltou que a polícia vem atuando, mencionando a prisão de 30 pessoas nos últimos dias, além de atribuir a situação à disseminação de notícias falsas. Contudo, a linha central de seu discurso foi a crítica às leis penais, que ele considera “frágeis”. Ele citou mecanismos como a audiência de custódia e as prisões domiciliares como fatores que, em sua opinião, favorecem os criminosos em detrimento dos cidadãos comuns.

Martins afirmou que “o sistema de justiça está preso a leis que favorecem muito mais as ações de criminosos do que a proteção ao cidadão”. Para ele, a única solução viável seria o “endurecimento” das leis, sem oferecer quaisquer detalhes sobre ações de inteligência ou políticas sociais de prevenção que pudessem ser implementadas.

Entretanto, por trás dos números apresentados, a insuficiência do efetivo da Polícia Militar é alarmante. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Maranhão possui uma média de apenas 141 policiais para 100 mil habitantes, um número que é inferior à média nacional de 178. Essa falta de recursos humanos ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas para manter um policiamento ostensivo constante em áreas dominadas por facções. Durante a mesma entrevista, Martins admite que o reforço nas ruas é uma medida recente, implementada há “mais de dois meses”, mas evita discutir planos de longo prazo para reverter a situação nos territórios mais afetados.

A suspensão das aulas, que gerou uma série de questionamentos sobre a segurança, foi uma decisão da rede estadual de ensino, o que contradiz a tentativa do secretário de atribuir o fechamento das escolas exclusivamente a uma onda de “fake news”. Por exemplo, a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) decidiu suspender as aulas noturnas e as atividades acadêmicas no Campus Paulo VI, localizado na Cidade Operária, em São Luís, nesta quinta-feira (23) e na sexta-feira (24).

Apesar de Martins afirmar que não houve ocorrências registradas nas escolas ou nos arredores, ele não conseguiu apresentar explicações convincentes sobre como a sensação generalizada de insegurança nas ruas, a qual levou muitos pais a optarem por não enviar seus filhos à escola, será abordada apenas com um aumento no número de prisões, sem uma reestruturação da ocupação policial em áreas críticas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *