Médico de lipoaspiração fatal na dona da franquia Cacau Show também é acusado de mutilar outras pacientes

Novos documentos judiciais ressaltam casos inquietantes relacionados ao médico Alexandre Augusto Gomes Alves, que realizou a lipoaspiração que culminou na morte de Ariene Rodrigues Pereira, uma empresária de 37 anos, dona da franquia Cacau Show. Além deste caso trágico, outra paciente entrou na Justiça relatando sequelas físicas graves após uma cirurgia estética, que persistem até hoje.

De acordo com os autos, a paciente acreditava estar contratando um médico qualificado para a prática de cirurgia plástica, com a intenção de colocar próteses mamárias. No entanto, a narrativa judicial revela que o médico teria adotado condutas negativas, omissas e em desacordo com as diretrizes éticas da profissão médica. Por respeitar a privacidade das pacientes, não divulgaremos seus nomes.

A reclamação judicial esclarece que, após o procedimento, a paciente descobriu que o médico não possuía especialização em cirurgia plástica, mas atuava como cirurgião geral. Apesar disso, ele se apresentou como apto a realizar cirurgias estéticas complexas, o que, segundo a ação, configura uma conduta enganosa e ilegal, podendo causar danos severos à saúde física e psicológica da paciente. A questão foi inicialmente reportada pelo site Direito e Ordem, posteriormente confirmada pela nossa equipe.

Outro ponto grave mencionado no processo é que o médico ignorou o consentimento da paciente, que autorizou a colocação de próteses de 250 ml. Contudo, na cirurgia, foram implantadas próteses de 300 ml, sem justificativa clínica documentada ou o devido consentimento prévio, apenas sob alegação informal de que “ela iria gostar mais”. Esse ato resultou em dores intensas, desequilíbrios posturais e impactos estéticos e emocionais significativos.

Os documentos também indicam que o atendimento foi prestado sem a emissão de notas fiscais, recibos ou qualquer prova formal dos pagamentos realizados. Essa prática, segundo a petição, não apenas revela falta de profissionalismo, mas também pode indicar atuação clandestina. O custo total do procedimento foi de R$ 17 mil, além de R$ 2.890 referentes à compra das próteses. Com os tratamentos corretivos adicionais necessários, a paciente desembolsou mais de R$ 33 mil, sem considerar o sofrimento físico e psicológico enfrentado.

Uma decisão do Judiciário registrada nos autos indica que, à luz dos fatos apresentados, o médico ultrapassou as fronteiras do exercício ético da profissão, possivelmente configurando o exercício irregular da medicina, conforme estipulado no artigo 282 do Código Penal Brasileiro. Importante destacar que os processos continuam em fase de tramitação e ainda não há condenações estabelecidas.

O caso reacende o debate sobre a fiscalização dos procedimentos estéticos no Brasil e destaca os riscos enfrentados por pacientes que buscam essas intervenções. Dada a gravidade das denúncias e o número de ações judiciais envolvendo o mesmo médico, a expectativa por esclarecimentos e a atuação assertiva dos órgãos competentes é crescente.

A equipe tentou contato com o médico para obter comentários, mas não teve sucesso. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação do profissional.

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