Eloía Helena faz severas críticas ao PT e a Lula em entrevista

A deputada federal Eloía Helena, que representa a Rede Sustentabilidade do Rio de Janeiro, expressou críticas incisivas ao Partido dos Trabalhadores e à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma entrevista à publicação O Globo. Na conversa, a parlamentar analisou a dinâmica da esquerda brasileira, relembrando episódios de sua trajetória política e discutindo articulações partidárias que estão sendo planejadas para os próximos anos.

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De acordo com Eloía, o PT mantém uma postura histórica de buscar um protagonismo absoluto no campo progressista. Para ela, a atuação do partido muitas vezes se dá de forma centralizadora, tentando impor sua liderança sobre outras legendas de esquerda. Na visão da deputada, esta abordagem dificulta a formação de alianças mais equilibradas, reduzindo as possibilidades de divergências internas e a pluralidade política.

Durante a entrevista, a deputada relembrou sua expulsão do PT em 2003, que ocorreu no início do primeiro mandato de Lula. Ela explicou que sua saída foi uma questão de coerência ideológica, após discordar de decisões tomadas pelo partido naquele momento. Segundo Eloía, a escolha de manter fidelidade às suas convicções políticas, mesmo com os custos que isso acarretou, foi decisiva em sua trajetória e solidificou sua postura crítica em relação ao partido.

A deputada também discutiu a possibilidade de uma federação entre o PT e o PSOL, um tema que vem sendo debatido nos bastidores da esquerda. Para Eloía, tal união beneficiaria, principalmente, o PT, ao ampliar sua base política e eleitoral. Por outro lado, ela considera que essa aliança pode gerar conflitos internos e perda de autonomia para o PSOL, especialmente entre seus setores mais críticos e independentes.

Ela observou que parte da militância mais engajada do PSOL poderia aceitar a federação por razões pragmáticas, relacionadas à sobrevivência eleitoral e ao acesso a recursos. No entanto, Eloía alertou que este tipo de arranjo tende a enfraquecer a identidade política de partidos menores, que passam a operar com as lógicas e interesses de um partido maior.

Quando questionada sobre as eleições presidenciais de 2026, a deputada foi cautelosa ao abordar um possível apoio à reeleição de Lula. Ela considerou prematuro assumir qualquer compromisso eleitoral neste momento e defendeu a necessidade de uma avaliação crítica do governo atual. Eloía argumentou que o apoio automático a candidaturas enfraquece o debate democrático e impede uma reflexão mais aprofundada sobre os rumos da nação.

A parlamentar ainda destacou que a esquerda brasileira enfrenta desafios significativos, tanto na proposição de projetos políticos quanto na construção de alianças. Para ela, as divergências internas não devem ser vistas como barreiras, mas como partes integrantes de um campo político diversificado. Eloía defendeu a independência dos partidos e criticou acordos que se baseiam apenas em conveniência eleitoral.

As declarações de Eloía Helena evidenciam as tensões existentes dentro da esquerda e indicam que as disputas devem se intensificar nos próximos anos, especialmente com as discussões sobre federações partidárias e o cenário eleitoral de 2026. A entrevista destaca que, mesmo entre afinidades ideológicas, existem abordagens distintas quanto à estratégia, liderança e ao projeto político na esfera progressista brasileira.

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