Funcionário fantasma transfere R$ 120 mil para irmã da prefeita de Arari e recebe supersalário de R$ 30 mil

Utilizando recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), Moisés Araújo da Silva, residente em Paraibano, no sertão do Maranhão, fez uma transferência bancária de R$ 120 mil para a conta da irmã da prefeita de Arari, Maria Alves Muniz, mais conhecida como “Simplesmente Maria”.

O Blog do Domingos Costa teve acesso exclusivo ao comprovante dessa transferência, que ocorreu no dia 13 de março de 2025, às 8h41, com o nº de controle 576.037.885.252.874.076. O valor saiu da conta do Banco do Bradesco e foi destinado à conta da empresa “S C Alves Muniz Ltda.”, registrada em nome de Silvia Cristina Alves Muniz, irmã da prefeita.

A investigação conduzida pelo Blog do DC indica que Moisés é responsável pela coordenação de contratações fictícias, envolvendo pelo menos 40 pessoas, as quais recebem salários exorbitantes e devolvem parte dos valores para a conta da irmã da prefeita e para o ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Costa.

Moisés Araújo da Silva figura entre os funcionários fantasmas na folha de pagamento da gestão de “Simplesmente Maria”. O esquema de corrupção foi denunciado por vereadores da oposição e impactou a política local, sendo publicado pelo Blog do DC em 24 de outubro.

Esses indivíduos foram adicionados à folha da prefeitura de Arari como se fossem funcionários da secretaria Municipal de Educação, recebendo salários que variam entre R$ 20.000,00 e R$ 30.000,00.

Mais alarmante é o fato de que, em fevereiro de 2025, Moisés recebeu seu salário duas vezes na folha de pagamento, uma manobra que exemplifica a audácia da corrupção na gestão municipal.

Os registros da folha de pagamento revelam que o “salário base” e o “salário líquido” dos Agentes Administrativos são idênticos, evidenciando uma falha grave na administração do secretário Municipal de Educação, Alexandre da Costa Alves, que é filho adotivo da prefeita.

As transferências para a empresa da família da prefeita sinalizam um circuito de fraudes. O comprovante de R$ 120.000,00 via Bradesco serve como uma peça chave na evidência de desvios de fundos e lavagem de dinheiro com recursos do FUNDEB, confirmando que esses valores efetivamente chegaram à prefeita Maria.

Entre janeiro e março de 2025, Moisés teria recebido aproximadamente R$ 90.000,00 da prefeitura, mesmo sem nunca ter comparecido ao local, segundo documentos já divulgados. Ele é, de certo modo, um “2 em 1”: um funcionário fantasma e o responsável por recolher a “rachadinha”, após transferir os valores para a conta da irmã da prefeita.

A “S C Alves Muniz Ltda.”, empresa com capital social de R$ 500.000,00, opera a Pousada Porto Sorriso em Barreirinhas (MA). A proprietária oficial é Silvia Cristina, enquanto a gerência é dada a outra irmã, Isabel Alves Muniz, a qual é conhecida na cidade por autorizar pagamentos informais, sem qualquer controle.

Essa ligação familiar incrimina a pousada como um potencial centro para lavagem de dinheiro, onde recursos destinados à Educação desaparecem em negociações duvidosas, comprovando a existência de desvios e crimes financeiros.

Uma foto da Pousada Porto Sorriso revela as três irmãs juntas, simbolizando a operação conjunta que drena as finanças da prefeitura, com os altos salários pagos a funcionários fantasmas.

Os comprovantes apresentados confirmam o desvio de recursos do FUNDEB, além da lavagem de dinheiro através da empresa da prefeita Maria.

É imprescindível que o Ministério Público, junto com a Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal, aprofundem as investigações, a fim de estancar os desvios que ocorrem sob a supervisão da comunidade e dos órgãos de fiscalização, impedindo que Arari continue a perder recursos essenciais.

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